
De vez em quando...
Vencendo as barreiras do seu silêncio e da minha indecisão. Hoje lhe telefonei ávido de companhia e carente de atenção. De um orelhão qualquer pude com você finalmente falar...
Trazer de não sei onde para perto de mim a sua voz embora sonolenta, mas que no seu tom tão querido, tanto me impressiona. Tanto me acalanta.
Sei que já era tarde. Mas não pude evitar, deixar de lhe telefonar era-me coisa impossível de aceitar, não podia fugir ao destino, para sobreviver eu tinha de qualquer maneira ligar.
A noite estava tão linda apesar de me parecer tão triste e solitária. Uma chuva miúda caía e de tão fina apenas de leve tocava-me a cara refrescando-me a pele, tocando-me a alma e aflorando-me lembranças.
Lembranças tão fortes quase concretas de outra noite também chuvosa. Noite inesquecível, não tão longe assim em que eu a tinha bem junto a mim, cabelos encharcados, escorridos na nuca, lábios vermelhos marcando-me o peito. No olhar um relâmpago inebriado na sua voz uma rouquidão ou um desejo velado?
Naquela noite tudo era idílio, não havia lugar para tristeza e até o frio que nos fustigava a gente indiferente desprezava curtindo inocentemente nossos momentos derradeiros de profunda beleza!
Derradeiros hoje eu sei que eles foram... Mas aceitar ou compreender de fato esse fato, isso não consigo e nem quero acreditar...
Não posso crer, que tudo nos fora ilusão passageira; que não passara de uma relação inconseqüente ou pior: Brincadeira!
Mas de certa maneira, valeu a experiência não devo me queixar. Você não foi a primeira a me conquistar e paradoxalmente a me deixar... Ainda assim doeu muito estou sentindo e talvez, pôr isso mesmo; no intento enlouquecido de ver a minha dor abrandar, assim hoje de vez em quando venha ainda... Aflito e carente a lhe telefonar!
VisualizarMOVA 29/11/1985
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