quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Carinho "Animal"


E tem gente que não acredita no amor a primeira vista e inter-raciais!





Vídeo gravado por um turista na ilha chamada Geórgia do Sul que pertence aos ingleses, e situada ao sul mais distante do continente Sul Americano.
Este é um vídeo único de uma turista, que se sentou na praia para admirar os elefantes marinhos e os pinguins na Baia Dourada da Geórgia do Sul. Inesperadamente, um dos elefantes marinhos é aparentemente atraído por ela e pouco a pouco vai se aproximando. É uma cena fora do comum e muito interessante. O elefante marinho e' grande (mais de 2 toneladas), entretanto ela nunca se amedrontou... ao contrario, mostrou um mix de absoluta naturalidade e divertimento (o que eu pessoalmente considero um dos grandes presentes dos jovens e crianças das ultimas gerações), enquanto outra pessoa gravou em vídeo esta maravilhosa experiência.É impossível não se emocionar. É o encontro com a inocência no seu estado mais puro !

O meu melhor presente!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para Viver um Grande Amor




Para Viver um Grande Amor


É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada."
Carlos Drummond de Andrade Post copiado do link anterior
Isso acontece acontece conosco: Mau&Lu

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Amigo Papel


Amigo Papel


Amigo papel, por favor, me escute, amigo papel mais uma vez preciso de você! Amigo papel eu tenho tanto a lhe pedir, que eu não sei o que seria de mim sem você nestes momentos insones, que passo precisando de alguém a quem me apegar.
Amigo papel, você que está sempre disponível a me ouvir... Amigo papel você que mudo me ouve, você que mesmo mudo me consola, como é bom tê-lo agora sob os meus dedos.

Sabe amigo papel? Nós os seres humanos somos por natureza seres sociais e como tais, precisamos de companhia, de carinho, de afeto, de muita compreensão, de amizade sincera, de ajuda, impulso, força e principalmente de amor de outros semelhantes e também necessitamos corresponder em dobro a todos esses sentimentos, num eterno ciclo de dar e receber, para sermos totalmente felizes e integrados neste maravilhoso mundo que nos nutre e sustenta por toda nossa existência.

Mas o triste amigo papel, você não sabe. É que neste grande planeta existem muitas pessoas tristes e sós, desesperadas por não terem à quem recorrer, todas essas pessoas por vários motivos vivem contra sua natureza, impossibilitadas de serem felizes. Elas vagam entre as outras como se fossem espectros, totalmente invisíveis!

Agora vou falar sobre uma delas amigo papel, vou lhe contar sobre uma em especial, pois essa pessoa nós conhecemos bem. Exato! Vou falar sobre mim!
Você durante muito tempo me acompanha na calada da noite, por certo reparou que por muitas vezes eu estava triste ou angustiado como naquela noite de dez de maio 1982 ou na noite de vinte de Dezembro do mesmo ano ou então macabro como naquela noite de vinte e três de Janeiro de 1983. Você reparou por certo que algumas noites eu estava retrospectivo ou sonhador e que em outras, até mesmo feliz e numas um tanto o quanto escrevinhador. Mas esta noite você sabe que estou só e triste precisando de seu corpo para expressar em sua superfície a minha dor, e você como grande amigo que é, sente calado o peso de minhas mãos, a transmitir-lhes tensas através deste instrumento pontiagudo, tudo aquilo que se passa em minha alma e que não pude dizer aos meus entes circundantes.
Eu sei que você me entende, pois respeitando as proporções, você passa pelo mesmo. Eu sei que você tem muito a dizer, mas os outros apenas passam os olhos por você, sem enxergarem tudo o que você queria dizer a quem soubesse lhe ouvir! Eles não enxergam, pois as suas linhas estão preenchidas por caracteres especiais, invisíveis à um simples olhar.

É isso caro amigo, “caracteres invisíveis” estes são os nossos problemas!

27/04/1983 03:36 Hs Maurício Oslay de Vargas Alonso

Flashback



 Flashback
  
Estas linhas que se seguem são expressões de um passado já considerável, pois foram escritas praticamente à dez anos. Como as atuais, foram frutos de um desencontro de forças, uma não correspondência de sentimentos e consequentemente de uma grande frustração e dor.
Assim como agora, foram escritas num ambiente familiar ao atual, na mesma solidão e privacidade do meu quarto, embalado ao som de músicas marcantes por sinal as mesmas que ouço agora, com uma diferença: na época pelo menos tive uma chance, pois a minha paixão era de conhecimento público e nós havíamos chegado a namorar, o que não ocorre hoje.
Estas linhas mostram que eu não mudei muito, para o meu tormento. A razão de reescrevê-las só o meu subconsciente sabe, mas o meu consciente acha que as mostrando a você, um pouquinho do meu passado seria exposto, posto a tona e talvez isso complete dentro de mim alguma parte que me falte e eu possa encerrar de vez este capítulo da minha vida, que tantas cicatrizes me deixou.

Confesso-me perante a você através destas que se seguem na íntegra!

Obs1 – estes desabafos não foram entregues a “ela”, portanto estão sendo oferecidos agora em primeira mão.
Obs2 - o nome dela foi substituído pela palavra “menina”.


  01- Maurício Oslay 29/11/1973 21:00HS

Agora, com sua caneta eu escrevo sobre você por causa do que ocorreu hoje entre nós, algo que muito me preocupa e faz-me sofrer. Eu não esperava que isso acontecesse nunca, mas aconteceu!

Por quê?

Tudo poderia ser belo, se não fosse essa pequena, mas insinuantes briga... Briga?
Mas por quê? Não! Eu não queria isso, mas aconteceu! Agora eu a vejo mais longe, cada vez mais longe, escapando-me entre os meus braços, fugindo do meu amor. Pela sua reação de hoje menina, noto que você não me compreende e talvez até não goste mais de mim.
O culpado? Sou eu porque não soube fazer você gostar de mim pelo menos me compreender em momentos como estes. Menina, com essa festa da semana passada eu não perdi o “barato” da festa, como você mesmo disse-me hoje, como perdi muito mais... Você!

Você, o seu amor, o seu calor, as minhas (nossas) horas ao seu lado, a minha paz e também o sabor de viver... Eu sinto que todo o meu esforço para segurá-la é inútil, você já não me ama! Por quê?
Nestes dias que se passaram, após a festa perdida, eu me perguntava “Quando você menina virá aqui em casa?” Os dias passavam e eu me perguntava: “Por quê ela ainda não veio?”

E hoje você veio!

Eu não poderia imaginar nunca que você não havia vindo antes porque estava zangada comigo! Agora está claro, porque você não veio aqui no domingo, pela mesma razão que agora neste exato momento (2:41hs), você já esqueceu tudo que aconteceu entre nós hoje e quem sabe antes?
Mas você que está certa menina, que você seja feliz é o que desejo, já que oito dias bastaram para você me esquecer, que tal se na sua “faxina mental”, você não deva deixar de me esquecer, de e de me excluir de seus pensamentos?
Eu mereço...
Maurício Oslay de Vargas Alonso

Nota  - Quem sabe se estas linhas não serão as minhas últimas?
Obs1 - Tudo seria diferente...
Obs2 - Eu ainda a amo!


02- Maurício Oslay 15/12/1973 01:15HS


Aquelas não foram as últimas linhas infelizmente, tudo seria bom se eu pudesse esquecer tudo o que passou, mas um grande amor não se esquece assim. E é por isso, que escrevo agora como se eu pudesse por meio de palavras escritas, mudar tudo o que está acontecendo de errado.
Trago no peito o desejo de amar e ser amado por você, mas o que me acontece? Quando chego perto de você, tudo se transforma. O amor que trago no peito se dilui e se transforma em lágrimas a medida que percebo que tudo o que aconteceu era falso, você nunca me amou realmente!
Aos trancos e barrancos estes dias, tristes e lentos se arrastaram para o caminho da eternidade, totalmente irrecuperáveis!
Cada dia desses, deveria, poderia, ter sido melhor para nós dois, se você tivesse querido...

Por que você fez isso comigo? Por que me enganou?

Você durante esses meses todos, me iludiu, deixou-me enamorar perdidamente por você, por quê?
Para destruir-me? Ou para vingar-se de um, outro que a tenha feito sofrer? Agora eu lhe pergunto: Eu merecia isso? Desculpe-me por eu estar chorando agora, mas a dor é tanta! Vejo que você não me conhece, pois do contrário não me trataria assim. Olha menina! Eu sou um ser muito só, eu preciso muito de carinho, muito mesmo, mas para que falar disso agora? Se você não me ama mais. Você deve achar graça se eu preciso de carinho, porque com certeza você deve precisar mais do que eu. Mas acontece que eu sou muito fraco de espírito, e certas emoções humanas são fortes demais para mim.

Desde pequeno eu tive grande compreensão de vários aspectos da vida, eu sempre me envolvi e senti na carne os problemas dos outros, eu praticamente era um conselheiro para as pessoas adultas. Apesar de pequeno eu sofria e sentia falta de uma pessoa amiga que me desse um pouco de amor. As minhas noites foram e são os momentos em que mais sofro. Quando estou só todos os pensamentos e frustrações me ocorrem de um só golpe, fazendo-me agitar e quase sufocar, as lembranças tristes me afloram a mente num desfile macabro de ilusões desfeitas. Eu sofro, perco o sono, só altas horas que o meu espírito cansado é vencido pelo sono...

Por exemplo: agora ao escrever estas linhas tudo isso está acontecendo! E você nem supõem o quanto é triste sofrer da falta de amor, no meu caso do seu! Eu vou terminar por aqui estas linhas, mas eu sinto que eu não falei tudo. Mas não tem importância agora que tudo se principia a acabar...
Oh Deus! Por que esta vida cruel?

02:15HS Maurício Oslay de Vargas Alonso

03- Maurício Oslay 31/12/1973 02:11HS


Hoje é último dia do ano de 1973, um ano cheio de experiências, algumas vezes dolorosas, infelizmente a hora chegou...
O ano já parte sem olhar para trás, levando consigo um grande amor, o meu amor! Amor que com tanto carinho cultivei, mas que infelizmente não deu certo. Este ano que parte leva sem dó um pedaço de mim, e da minha vida, quem sabe para onde?
Agora que tudo terminou só me resta na lembrança a tristeza de saber que durante algum tempo fui feliz à minha maneira, e que agora essa felicidade me foi negada. Por quê?
Você menina, não sabe o que realmente é amar, sentir na carne toda a dor de uma desilusão, ter de suportar constantemente golpes duros da vida, e sentir ao mesmo tempo alegria nos mínimos detalhes que se passam. Eu tentei adiar este momento, na realidade eu queria evitá-lo, mas você não me deu uma oportunidade de conseguir realiza-lo. Agora só me resta terminar o que houve entre nós, assim você o quis!

Agora ao escrever estas palavras é como se tudo em volta de mim se principiasse a desmoronar, a vida perdeu seu sabor. Eu não posso acreditar no que eu estou escrevendo, eu não quero!
Não! Não adianta é tarde o ano já se foi e com ele, você! Consequentemente, começa agora gradativamente a esvair-se da minha vida a criatura que eu amo. Como o próximo ano perdeu para mim o seu significado, por causa dessa brincadeira do destino que parece se divertir com o sofrimento alheio. Eu queria que ao menos você tivesse melhor sorte do que eu, que você encontre alguém que a compreenda melhor do que eu, que você mude um pouco o seu modo de ser, pois do contrário será mais difícil para você ser realmente feliz.

Para mim eu desejo que eu deixe de ser um fraco de espírito e que nunca mais me apaixone por alguém a não ser que eu tenha certeza que essa pessoa também me ame, caso contrário eu estarei condenado, a mais, infinitos sofrimentos...
Mas por enquanto, viverei com esta dor no peito, perguntando-me; ”Onde estará a minha felicidade?”, ”Onde estará o meu amor?”, “... e a minha paz?”.
Cadê você menina? Quando a encontrarei novamente? Será que algum dia seremos felizes juntos?

Não! Não! Não posso sonhar mais! Você se foi...

Agora eu caminho devagar, cabeça baixa, chorando, carregando minha cruz, rezando, rezando, com a esperança de algum dia encontra-la mais adiante para aliviar-me da minha cruz, da minha carga e então sermos um só até que a morte nos separe...
E mil novecentos e setenta e três se foi! Se foi, para... Onde?

03:08HS       Maurício Oslay De Vargas Alonso


04- Maurício Oslay 03/01/1974 01:03HS


Hoje é o primeiro dia que eu escrevo este ano, e poderia escrever coisas belas, coisas que só o coração sabe contar, poderia dizer algo sobre a vida, sobre as pessoas e o amor... Mas no momento eu sofro e por isso tudo o que eu escrevo é o que vejo através dos meus olhos molhados e tristes. Tristes por eles não terem a chance de enxergar alguma alegria nos seus olhos menina, tristes porque você também sofre.

Os meus olhos cansados estão tristes porque eu não posso fazer muito para ajuda-la, além de oferecer-lhe todo o amor que há em mim e saber que você não pode aceitar o meu amor já que você não me ama. É triste saber que no momento em que você mais precisa de amor e proteção, eu não possa esquecer que no fundo você não quer o meu amor. Não! Eu não posso escrever sobre a alegria, se eu não mais me lembro dela. Eu estou cansado e já não sei mais o que faço. Deixo o tempo passar e que o destino decida por mim...

A partir de hoje, faltam apenas três dias para completar um ano de nosso namoro, é, custa-me acreditar e também não sei como pudemos demorar tanto.
Você menina, é a garota que eu amo, por que faz isso comigo? Por que não se interessa por mim? E deixa-me sofrer assim injustamente?

Neste ano que passou menina, a amizade entre nós e o amor deveriam se aprofundar mais, mas por que ocorreu o contrário?
A vida brinca com os sentimentos dos outros assim como você brinca com os meus, resultando que nós sofremos inutilmente. Eu sei que muitas forças negativas se opuseram ao nosso amor, mas se você quisesse junto teríamos transposto os obstáculos. Mas o que eu não sabia, era que o grande obstáculo era você mesma, com a sua indecisão quanto a quem realmente você amava.
Mas agora se você descobriu a razão da sua vida por que continua a torturar-me fazendo-me sofrer com sua traição. Se você não me ama mais, por favor, eu peço:

Separe-se de mim, esqueça-me, seja feliz, não olhe para trás, saia e vá junto do seu amor de cabeça erguida, garanto que assim sofrerei um pouco, mas serei também feliz por você ser feliz, e aos poucos a esquecerei até que um dia eu a tenha na mente como a pessoa que um dia amei muito, mas que o destino quis que não me pertencesse...
                     Adeus menina.

 01:48HS Maurício Oslay De Vargas Alonso
 

         Bem, voltando ao presente! Foi com curiosidade e um, certo prazer, que empreendi esta viagem no tempo, foi bom recontactar emoções adormecidas. Foi uma viagem segura, pois a distância entre os fatos passados e a realidade presente, tornou-me imune a qualquer recaída ou envolvimento emocional de minha parte, assim como seu estivesse escrevendo sobre personagens fictícios ou lendo sobre outrem.
É interessante como certos fatos esquecidos de repente vieram à tona, numa nitidez impressionante, realçados pelo fundo musical que me acompanhou nestas horas em que estive escrevendo, principalmente quando tocava alguma música da época na rádio.

Realmente gostaria de saber o que eu passei para você com esta peregrinação ao passado. O que você observou da comparação entre tudo o que escrevi para você recentemente e o que algum dia eu havia escrito numa outra situação.
Se você achar que é caso de internação também pode falar, eu quero é a sua opinião a respeito de preferência por escrito!
Tá legal sua preguiçosa?
Sem mais delongas despeço-me por aqui beijos e até a próxima oportunidade do paciente candidato a Pinel...

Domingo 27/02/1983 08:36HS Maurício Oslay de Vargas Alonso

  

Em tempo: Tá uma linda manhã de domingo, o ar está translúcido e o sol radiante, manhã que não estou acostumado a ver. Acho que em vez de ir dormir... Vou a praia... Até breve!

09:03HS Maurício Oslay de Vargas Alonso

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Insólita Metamorfose



 Insólita Metamorfose

  • Luz e escuridão, calor e frio, ar e vácuo, barulho e silêncio.
  • Lucidez e loucura, alegria e dor, sonho e pesadelo.
  • Esperança e desilusão, amor e ódio, paz e confusão.
  • Docilidade e agressividade, bondade e maldade,
  • Multidão e solidão
  • Tudo e nada... Tudo!
  • Tudo isso me rodeia, tudo isso me forma...
  • Tudo isso me chateia, tudo isso me devora!



 Do fundo escuro deste úmido e frio poço em que me encontro, o calor me é roubado aos poucos a cada momento que passa. Deixando-me inerte e com a mente entorpecida de frio circunstancial que invade o meu coração, dele expulsando sonhos lindos de uma ingenuidade primaveril, sonhos de desejos cristalinos, sonhos de pura poesia e amor...
Expulsando gradativamente aquelas emoções benignas tão essenciais a vida, tornando-me assim, prematuramente velho, prematuramente ressecado e árido em fim: prematuramente morto!

No fundo deste grande poço, piso em lama pegajosa e fétida, meus movimentos são tolhidos pelo seu peso e a angustia é grande, no meu ser, o medo ronda a minha cabeça, o ar me é tão difícil sorve-lo e a minha consciência tende a abandonar-me na mais completa escuridão...
Desesperadamente tento agarrar-me a qualquer fiapo de esperança, penso em você então, e uma nova onda de forças inexplicáveis faz com que eu lute em desespero contra a pressão das circunstâncias.

Daqui do fundo deste poço novamente a desilusão me adota e um grande ódio então penetra através dos meus poros, atingindo vasos e artérias alojando-se e envenenando indevidamente o sangue vital. Trazendo-me loucura e fogo de mil infernos a arderem sem parcimônia cada centímetro do meu ser.
Numa louca tentativa de fuga deste inferno particular, mergulho de cabeça nesta massa lúgubre expelindo de meus pulmões todo o resto de ar viciado... Deixando-me então afundar mais, sufocado entre bolhas de gases letais.

O tempo e o espaço perderam seu significado em minha mente apenas o vácuo total e no meu coração a dor aguda de uma alegria negada.
Submerso e literalmente só, com o meu corpo depositado no ponto zero de forças que se anulam e esmagado por incoerências circunstanciais, começa ele a se degradar, decompor; seus tecidos vão necrosando, metamorfoseando, fazendo parte com maior integração deste Universo que o cerceia.

 

Solidão e silêncio, escuridão e frio, tudo e nada...
Esses são os elementos que testemunham o meu fim...

No fundo daquele poço, ignorado por uma multidão, jaz uma pasta orgânica, restos de um ser solitário agora mesclado ao ambiente formando fonte de energia para bactérias e vermes. Agora, abandonado aquele elo físico que me prendia a esta realidade, alço-me as alturas, o meu ser toma de uma segunda consciência, experimento fascinado novas sensações, vejo tudo de uma maneira clara, radiante e diferente. A agonia da minha alma presa aquele corpo transformou-se em júbilo ao ver-se livre das limitações intrínsecas aquele estado.

  Agora eu sou tudo! Eu estou em tudo! Faço parte agora de toda a plenitude das forças que regem a criação. Uma doce paz me toma consciência, uma serenidade nunca antes sentida coordena meus novos pensamentos, dando luz total aos meus atos presente, um multifacetado amor preenche o meu coração agora não representado por um músculo torácico, mas sim por toda energia e matéria que compõem o que chamamos de realidade.
Agora não estou mais só, pois também sou você, não tenho mais fome, pois sou o trigo a massa e o pão! Sede, frio, calor, agonia, dor, tristeza, raiva ou qualquer outro elemento ou sentimento... Tudo... Tudo isso se anula, pois faço parte!
 

Neste novo estágio de consciência, contato-me com outros seres que como eu, alcançaram também a plenitude de ação e compreensão... Agora e sempre juntos, aguardamos pacientemente que cada um de vocês se junte a nós por toda a eternidade.

16/07/1983                                                              Maurício Oslay de Vargas Alonso 

E Mil Novecentos e Oitenta e Três se Foi...


E Mil Novecentos e Oitenta e Três se Foi...
  
No ar ressoa ainda o estampido de mil foguetes e rojões a espantarem os espíritos maus de Oitenta e três.
Através das paredes uma mistura de sons, burburinhos, vozes e gritos fazem-se notar aqui no meu quarto, acompanhados de uma música não identificada por mim, ao que me parece, deve haver muita alegria lá fora...
Carros com os escapamentos abertos roncam a uma grande velocidade como se quisessem fugir do ano que se passou. Distanciarem de tudo aquilo de triste ou ruim que ele nos legou implacavelmente!
As pessoas gritam, outras choram ou cantam e riem, batem palmas, aumentam o volume de um rádio que neste momento executa um barulhento e animado samba que por sinal é a própria exaltação da alegria.

Elas se abraçam, se beijam, trocam cumprimentos e manifestações de solidariedade. Elas são participantes e cúmplices inconscientes do ritual da “Grande Festa” que tem por finalidade extravasar alegrias sintéticas, confessar  esperanças, esquecer dissabores, mas entretanto acredito que elas trazem escondida no fundo de seus corações, uma amargura e por que não dizer uma tristeza cármica por tanta miséria circundante, herança deste e de outros anos que passaram...

Meu Deus! Ou eu sou diferente dos demais e por isso sofro agora ou então esta alegria esfuziante aí fora só possa vir a ser uma ilusão em massa... Das massas!
Diga-me: Quem pode estar feliz hoje, após Ter sobrevivido a duras penas, `a um ano de duzentos e tantos por cento de inflação oficial e sabendo que de uma tacada só a partir de hoje mais trezentos produtos terão seus custos majorados?
Quem pode estar feliz com a eterna seca do Nordeste, com as enchentes no Sul e calamidades mil como a do morro do Pavãozinho?
E a violência então a nos famigerar? E a corrupção geral que nos suga e sufoca? E os escândalos estatais e os das empresas de iniciativa privada?
Quem? Quem ao se lembrar disso tudo pode agora estar feliz? Quem pode ter o máximo de felicidade com o mínimo de salário vigente que nos impuseram?
 

 É... Num país de milhares de subempregados e desempregados, onde outros milhares passam fome e dela inexoravelmente morrem prematuramente diariamente injustificadamente; é que lemos então nos jornais a vergonha absurda impressa em letras garrafais tais como: “Produtor enterra carga de um caminhão de gêneros alimentícios”, “Governo queima cafezais no Sul”, “Brasil compra toneladas de carne estragada”, “Milhares de litro de leite derramados em represália ao baixo índice do percentual de majoração de preços”, por aí afora...

Uma vergonha gente!

E em quanto isso os mafiosos dos grandes, “Super e Hipermercados”, vão roubando descaradamente e impunemente dia a dia em cada remarcação dos preços incutidas aos pouquinhos, esquecendo-se (eles) que seus grandes estoques, de mercadoria são imunes a inflação baseado num acordo meio esquisito com o governo que banca os juros de suas compras; isto é: eles compram com descontos de preço à vista, mas pagam suas dívidas entre três e quatro vezes enquanto sua grana braba livre de impostos é aplicada no “opem”, por exemplo...
E depois nos querem passar a imagem de bons samaritanos com suas ofertas milagrosas “de cair o queixo” que não passam de uma oportunidade de desencalhar estoques! Isso, sem falar da história, das sacolas promocionais pagas, lembram? Bem, se eu for especificando cada item da imensa lista de tormentos que nos afligem o ano de Oitenta e Quatro vai acabar e talvez eu nem chegue a terminar de falar sobre o primeiro semestre de Oitenta e Três.

Entretanto se a alegria demonstrada aí fora hoje, for uma tentativa de esquecer todas as chagas físicas e espirituais adquiridas no decorrer deste ano que passou, paciência! Não posso fazer nada, pois acho que cada um se ilude do jeito e intensidade que quiser e puder. Os resultados se vêem depois ao vivo ou nas manchetes dos jornais.
Porque a falsa alegria não passa de euforia e leva a excessos tais como embebedar-se que por sua vez libera insensatez e violência e o resto, bem o resto vocês já imaginam.
 Agora se alegria for genuína; parabéns! Prova de que o ser humano tem uma grande capacidade de se adaptar mesmo no meio mais agreste...

Quanto a mim, tô triste pacas e muito e muito fulo da vida, e como não quero ninguém como bode expiatório, descarrego então a minha frustração nesta praga de ano que terminou, embora o coitado em si não tenha culpa de nada já que ele nunca existiu realmente. Pois ele é (foi) apenas uma convenção para rotular um período entre tantos do tempo cósmico, do tempo global para uma melhor percepção do mesmo.

Agora por convenção minha este ano para mim nunca existiu e conforme o que falei a pouco que cada um se ilude do jeito e intensidade que quiser... É o caso!
Hum! Pô tá tocando agora no rádio aí do vizinho a hoje para mim imprópria musica de exaltação, a tal de "Cidade Maravilhosa"...
A onde está a maravilha? Ai! Que ódio! Sem mais o que falar, a não ser me desculpar por estar assim tão azedo... Salve então Oitenta e Quatro, recém-chegado e a esperança de um ano melhor também!


01/01/1984                                                     Maurício Oslay de Vargas Alonso

Por onde anda Você?



Por onde anda Você?
  
Hoje eu sonhei com você, foi um sonho lindo cheio de esperanças e promessas. Pena que foi curto, mas em compensação foi muito intenso e incrivelmente real. Nele senti com todas as minhas forças a sua presença terna que tanto paz me dá.
Realmente foi uma surpresa agradável, sonhar assim com você, já que há muito tempo não tenho sonhado com você, pelo menos que eu me lembre, espero sonhar mais vezes com você assim, pois é tão lindo e gratificante, transmite tanta paz e esperança, modificando todo o meu dia, me deixando tão leve e feliz, que eu nem acredito que eu seja eu, assim tão feliz!

Pois eu ando tão down, tão tilt ultimamente, a procurar-lhe pelos caminhos áridos da vida, sem resultado positivo, que este sonho por instantes embebedou-me a alma, aqueceu meu sangue...

É, todos estes dias longe de você... É, desde a nossa ultima apresentação no La Salle, tenho pensado muito em você em todos meus momentos bons ou ruins. Eu muito tenho cultivado esperanças de encontra-la a cada minuto que passa muito a tenho procurado e desejado, preciso demais de você e não sei como lhe dizer isso. Queria sinceramente estar junto a si, respirarmos o mesmo ar sentir-lhe prisioneira em meus braços, conversar sobre qualquer assunto, ouvir de olhos fechados a sua voz, afagar os seus cabelos, sentir um brilho de amor em seus olhos, aconchegar-me em seus seios, sentir-lhe minha vibrando sob as minhas mãos, beija-la a princípio devagar e ternamente e pouco a pouco gulosamente mais forte, até sermos presas de um ardor que só corações amantes conhecem e principalmente: ficar com você, sozinhos em algum lugar entre o Céu e a Terra, onde haja uma ruptura na dimensão do tempo, onde as horas e os dias se estendam e se contem numa escala diferente desta nossa, nos possibilitando uma permanência juntos. Assim próxima da eternidade.

Como você pode ver meu bem, eu também sonho acordado, pois todas estas coisas que escrevi e que sinto vontade que aconteçam, infelizmente só acontecem no meu coração, nos meus sonhos e nestas fiéis linhas em que me confidencio...
É triste não acontecer realmente, já que você nem pode imaginar e saber o que sinto. E eu não posso mesmo lhe confessar o meu amor, pois você só iria ter pena de mim, já que os seus sentimentos são para com outro, embora eu não saiba em que grau! Oficialmente aos olhos de todos os seus sentimentos para com ele são em grau máximo, aos meus, entretanto nem tanto, logicamente!

Bem, mas quem realmente com certeza pode saber o que se passa neste nebuloso universo que é a alma humana, com seus sentimentos, suas razões e mistérios, no caso é você!

Sabe? Não sei se é por que eu lhe amo, ou porque sou muito confuso e muito inseguro do que sou ou do que vou fazer, do que sinto e do que eu quero, talvez esteja enganado, vendo reflexos meus em você, mas a verdade é que eu sinto e pressinto, que você tem alguma aura invisível de mistério, envolta em seu íntimo que não bate, não combina com o que eu capto da sua imagem exterior. Algo assim como se tentasse me dizer, transmitir que talvez dois e dois não sejam quatro.
Não sei o que é, já que nós nunca conversamos algo a respeito ou sobre nós mesmo mais intimamente... Quem sabe algum dia?

Sei que o que sinto por você não é correto, por mil e um motivos tenho que acreditar nisso, mas ainda assim este é um sentimento forte demais para a razão controlar. Gostaria de saber mais sobre você, sobre essas coisas que se passam dentro de você, talvez eu pudesse até lhe ajudar...

Eu escrevo estas coisas, tendo a certeza de que não as lerá nunca, pois não posso lhe entregar esta chave do meu coração, embora ele lhe pertença a muito! Mas ainda assim escrevo acreditando que como numa fantasia de um coração apaixonado o simples fato de dizer o que sinto neste desabafo, me confortará, fazendo pensar que por meio de um passe de mágica eu farei chegar diretamente a você através do éter, todas estas coisas que a minha boca não lhe diz!

Para minha satisfação, agora aqui no rádio está tocando aquela música que num dia especial de novembro passado, conheci através de seus lábios quando você distraída a cantarolava baixinho em minha presença. Naquele dia então, tudo mudou em minha vida ao ponto de separar-me sem garantias imediatamente da mulher que até então fazia parte da minha vida, pois havia descoberto este novo sentimento que me impulsiona a adorar-lhe desde então.

Aquele dia mágico, a cada segundo passou... Dele, agora tenho como companhia nos meus momentos de solidão esta música que lembra demais a você e a aqueles momentos quase que roubados. O nome dela (vê se lhe, lembra algo) é “Muito Estranho” e quando ouvi-la daqui por diante, saiba que ela diz por mim tudo o que não devo lhe falar coisas que sinceramente gostaria que acontecessem e de lhe dizer tais como:
“Hum, minha cara para que tantos planos?”
“Se quero te amar e te amar e te amar muitos anos”.
E...
“Ninguém vai dormir nosso sonho.”
Ou,
”Hum, tantas vezes eu quis ficar solto como se fosse uma lua a brincar no teu rosto”
E por último gostaria de lhe dizer:
”Cuida bem de mim!”

Pensando bem...
“E  eu nem sonhava te amar desse jeito!”


16/01/1983   Maurício Oslay de Vargas Alonso